Precisamos falar sobre diversidade!

12.06.2017 -

Entre os dias 7 e 9 de junho, aconteceu o Festival Mundial de Publicidade de Gramado (RS). Dentre todos os assuntos abordados, o que mais me chamou a atenção foi o painel do último dia, que abordava a DIVERSIDADE, e sua aplicação na sociedade, nas empresas (leia-se em agências de comunicação) e também para marcas. Os palestrantes são experientes na área: Ian Black, Diretor da New Vegas; José Luiz Martins, Sem pé nem cabeça; Ricardo Sales, Consultor de diversidade e comunicação, e Raphaella Martins Antônio – J Walter Tompson.
Ricardo Sales, comunicólogo e palestrante sobre o tema, apresentou diversos dados sobre a morte de pessoas que estão à “margem da normalidade”, tais como gays, transexuais e negros. Os números impressionam:

• O Brasil é composto de 54% de pessoas autodeclaradas pardas ou negras – o que soma mais de 100 milhões de pessoas (IBGE, 2015);
• Apenas 4,6% de cargos de liderança, entre as maiores 500 empresas do Brasil, é ocupado por negros (BID e Instituto Ethos);
• 65% das mulheres não se identificam com a imagem retratada na publicidade. Elas afirmam que gostariam de se ver mais independentes e mais inteligentes (Instituto Patrícia Galvão);
• Das 50 maiores agências de comunicação do país, apenas 1 delas possui um negro em cargo de gerência;
• 23.7% dos brasileiros têm alguma deficiência (IBGE, 2010);
• Em 2016, foram assassinadas 640 pessoas LGBT (o Brasil é líder nesse ranking);
• 65% das pessoas LGBT não se sentem à vontade no ambiente de trabalho. Logo, elas não conseguem produzir por completo. E com isso acabam sendo “improdutivas” e são demitidas.

Então, eu faço aqui uma pausa: por que não temos esses grupos em comerciais? Porque estes grupos só aparecem em campanhas sociais? Veja a seguir estes dois vídeos que provam que grandes portais de fotografia como DepositPhotos, ShuterStock, Getty Images e iStock, conduzem nosso pensamento de forma excludente:

 

DepositPhotos

 

 

ShutterStock

 

 

 Getty Images

 

iStocK

 


O grande problema destas desigualdades é quando nós as naturalizamos. Não podemos fingir que elas não existem e que estes dados alarmantes são normais.
Então, seja você um estudante ou profissional de comunicação ou qualquer outro segmento: é preciso questionar-se sobre essas diferenças, pois estas “minorias” também merecem a sua atenção. Repito: negros e pardos representam MAIS DA METADE da população brasileira.

Como podemos mudar essa realidade?

Pense nisso e compartilhe com seus amigos.