O Itaú, os chatos e os falsos moralistas.

08.11.2015 - Matérias

 Pensei muito antes de escrever este texto. Chequei diversas fontes e cheguei à conclusão de que deveria me posicionar com relação a este assunto que toma conta das mídias sociais nos últimos dias. 

 Quando vi a nova propaganda do Itaú (abaixo), logo pensei: "lá vem as gramáticas ambulantes". Isso ficou reforçado quando, no dia seguinte ao lançamento, recebi e-mail de um leitor me questionando sobre a minha opinião sobre o “Digitau”. 

Não levou nem um mês, o CONAR notificou a agência criadora do comercial e o banco, pois 10 pais reclamaram que a propaganda incitava o uso errôneo do português nas crianças que a assistiram. 

Como profissional de marketing, acredito que a agência poderia ter previsto esta polêmica antes do lançamento, e sim, creio que em algum momento do brainstorming foi pensado em lançar um vídeo que repercutisse em seguida, mesmo que como polêmica. Assim como o comercial do dia dos namorados do Boticário que, ao lançar, a marca já sabia que geraria todo aquele buzz na internet...

Mas meu ponto de questionamento sobre o assunto se baseia em: este comercial do Itaú é massivamente repetido no horário em que pais e filhos estão em casa na vibe da tradicional família brasileira, assistindo suas novelas, certo?! Mas sabendo que as novelas prezam por histórias que envolvem disputas com trapaças desleais, discriminação social, assassinatos, cenas de sexo, traições, chantagens, facções que matam para se tornarem mais poderosas, mulheres golpistas, ex-prostitutas, pessoas com dupla personalidade, pais que forjam a morte da própria filha... seria assim tão melhor ter filhos sem formação moral mas que tenham o domínio da língua portuguesa?  

 Como disse um conhecido meu: "cada um dos 10 pais poderia ter dito aos seus filhos: ‘filho, na propaganda disse que digital é com "u" mas é com "L", tá?’ Isso já resolveria o problema da língua portuguesa, mas ainda assim, deixaria as crianças assistindo a novela... 

 Daqui a alguns anos não vamos mais poder inovar ou ousar nas propagandas. Imagina as pessoas denunciando um comercial porque a frase não começa com letra maiúscula? 

 


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